sábado, 4 de maio de 2013


AS QUATRO IRMÃS




Disse a esperança: "Eu fui a amada de um poeta, um dia
que me adorava sempre mais e mais.
Quando, uma noite, ele feliz dormia,
abandonei-o e não voltei jamais".

Disse a ilusão: "Também amei certo poeta e, tinha
toda a ternura que não tive e quis.
E acreditando na promessa minha,
por muito tempo ele viveu feliz".

Disse a paixão: "Eu acredito, pois amei assim certo poeta,
como nunca amei.
Até que um dia, sem saber, enfim, abandonei-o
e nunca mais voltei".

Disse a saudade:"Eu sou mais feliz do que vocês então.
Tive um poeta de invulgar virtude,
à ele prendi-me. Dei-lhe o coração...
E nunca mais abandoná-lo eu pude".

Enviado por Ivonildo da Silva Oliveira (1963)